Prótese de silicone: tipos, perfis e como escolher o implante
A prótese de silicone é um implante formado por um gel de silicone envolto em uma cápsula de elastômero, usado na cirurgia de mama para aumentar o volume ou ajustar o formato dos seios. A escolha do implante envolve cinco decisões principais (superfície, formato, perfil, volume e posição), e cada uma delas é feita a partir das medidas e da qualidade dos tecidos do seu corpo, não a partir de um número escolhido antes da consulta.
A indicação, o modelo e a técnica só podem ser definidos em consulta presencial com cirurgião plástico, depois do exame físico.
Se você ainda está decidindo qual cirurgia faz sentido para o seu objetivo, o artigo sobre as opções de cirurgia nos peitos e o que cada uma resolve ajuda a separar volume, posição e formato.
Tipos de prótese de silicone: superfície e formato
Quando se fala em "tipo" de prótese, normalmente se fala de duas características: a superfície externa do implante e o seu formato. As duas influenciam como o implante se comporta dentro do corpo e como o contorno da mama tende a ficar.
Superfície lisa, texturizada ou revestida
A superfície lisa tem acabamento uniforme e permite que o implante se acomode com mais mobilidade dentro do espaço criado na cirurgia. A superfície texturizada tem uma rugosidade que aumenta a aderência aos tecidos, o que pode ajudar a manter a posição de implantes anatômicos. Existem ainda implantes revestidos por espuma de poliuretano, que têm aderência ainda maior.
A escolha da superfície envolve vantagens e riscos que precisam ser discutidos com franqueza. Uma condição rara chamada linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário (conhecida pela sigla BIA-ALCL) foi descrita principalmente em pacientes com implantes de superfície texturizada. Esse é um dos temas que fazem parte da conversa sobre o modelo mais adequado ao seu caso.
Formato redondo ou anatômico
O implante redondo tem a projeção distribuída de forma igual em toda a sua base. Ele tende a dar mais preenchimento ao polo superior da mama, que é a parte de cima do seio. O implante anatômico, também chamado de "gota", tem mais volume na parte de baixo e uma inclinação mais suave na parte de cima, imitando o caimento natural da mama.
Nenhum dos dois formatos é melhor em todos os casos. O anatômico precisa permanecer na posição correta, porque uma rotação pode alterar o contorno; o redondo, por ser simétrico, não tem esse problema.
Perfil do implante: o que muda entre baixo, moderado e alto
O perfil é a relação entre a largura da base do implante e o quanto ele se projeta para a frente. Dois implantes com o mesmo volume em mililitros podem ter perfis diferentes: um mais largo e baixo, outro mais estreito e projetado. É por isso que comparar apenas o número de mililitros diz pouco sobre como a mama vai ficar.
Os fabricantes costumam classificar os perfis em baixo, moderado, alto e extra-alto, com nomes que variam de marca para marca. Quanto mais alto o perfil, menor a base e maior a projeção.
A tabela abaixo resume, de forma geral, as variáveis consideradas na escolha do implante e o que costuma influenciar cada uma.
| Variável | Opções mais comuns | O que costuma influenciar a escolha |
|---|---|---|
| Superfície | Lisa, texturizada, revestida por poliuretano | Formato escolhido, posição do implante e perfil de risco discutido em consulta |
| Formato | Redondo ou anatômico | Quantidade de tecido mamário, contorno desejado e forma do tórax |
| Perfil | Baixo, moderado, alto, extra-alto | Largura da base da mama e espessura dos tecidos |
| Volume | Medido em mililitros | Medidas do tórax, elasticidade da pele e proporção com o corpo |
| Posição | Subglandular, submuscular, dual plane | Cobertura de tecido, estilo de vida e rotina de atividade física |
Posição: subglandular, submuscular ou dual plane
Subglandular
Na posição subglandular, o implante fica atrás da glândula mamária e na frente do músculo peitoral. Costuma ser considerada quando há tecido mamário suficiente para cobrir bem o implante. Em pessoas com pouca espessura de pele e glândula, as bordas do implante podem ficar mais perceptíveis ao toque ou à vista.
Submuscular
Na posição submuscular, o implante é colocado atrás do músculo peitoral maior, que oferece uma camada a mais de cobertura na parte de cima da mama. Pode ser considerada em quem tem pouco tecido. Por outro lado, a contração do músculo pode movimentar o implante em alguns gestos, e o desconforto dos primeiros dias tende a ser maior.
Dual plane
O dual plane é uma posição intermediária: a parte de cima do implante fica sob o músculo e a parte de baixo fica sob a glândula. A proposta é combinar cobertura no polo superior com um contorno mais natural na parte inferior. Como as demais opções, a indicação depende do exame físico.
Quando há queda da mama além da falta de volume, a prótese sozinha pode não ser suficiente. Nesses casos, o levantamento pode ser associado ao implante, como explica o artigo sobre mastopexia com prótese. O grau de queda é avaliado segundo a classificação descrita em ptose mamária: graus e causas.
Como o tamanho da prótese de silicone é definido na consulta
Uma dúvida muito comum é "quantos mililitros devo colocar?". A resposta honesta é que o volume não deve ser escolhido de forma isolada. O tamanho é definido a partir de um conjunto de medidas e de uma conversa sobre o que você espera, e o resultado nunca pode ser garantido.
Na avaliação, o cirurgião plástico costuma considerar:
- Largura da base da mama: o implante precisa caber na base que o seu tórax oferece.
- Espessura dos tecidos: pele e glândula mais finas pedem cuidado com volume e posição.
- Elasticidade da pele: indica quanto a pele pode acomodar sem sobrecarga.
- Distância entre as mamas e entre o mamilo e o sulco: ajuda a planejar a posição do implante.
- Assimetrias: quase todas as pessoas têm alguma diferença entre um lado e outro, e isso deve ser mostrado antes da cirurgia.
- Rotina e expectativas: trabalho, prática de esportes, roupas que você usa e o contorno que considera adequado ao seu corpo.
Muitos consultórios usam moldes de prova ou simulações para ajudar a visualizar proporções. Esses recursos são apoio para a conversa e não representam uma promessa de como a mama vai ficar. Fotos de outras pessoas também não servem como referência confiável, porque cada tórax e cada pele reagem de um jeito, e a Resolução CFM nº 2.336/2023 não permite a divulgação de imagens de antes e depois de pacientes.
Volumes acima do que os tecidos comportam podem aumentar o risco de afinamento da pele, deslocamento do implante e nova cirurgia no futuro.
Durabilidade e acompanhamento
As próteses de silicone atuais não têm uma "data de validade" fixa e universal. A ideia de que todo implante precisa ser trocado depois de um número exato de anos não se aplica a todos os casos. O que existe é a necessidade de acompanhamento ao longo da vida, porque o implante e os tecidos ao redor podem mudar com o tempo.
O acompanhamento costuma incluir consultas periódicas com o cirurgião e exames de imagem, como ultrassonografia das mamas e, quando indicada, ressonância magnética. Esses exames ajudam a avaliar a integridade do implante e a cápsula que o corpo forma naturalmente ao redor dele. A frequência é definida pelo médico, de acordo com o seu histórico.
Ao longo dos anos, algumas situações podem levar à discussão de uma nova cirurgia, como endurecimento da cápsula, ruptura, mudança de posição ou o desejo de alterar o volume. Esses cenários estão detalhados no artigo sobre troca de prótese de silicone. Para saber como costuma ser o período logo após a cirurgia, veja o guia de recuperação da mamoplastia de aumento semana a semana.
Guarde o cartão ou o documento de identificação do implante entregue após a cirurgia. Ele traz fabricante, modelo, volume e lote, informações úteis em qualquer avaliação futura.
O Dr. Christian Elias, cirurgião plástico (CRM 76807 | RQE 61773) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, atende em Uberaba (MG) e em São Paulo (SP). Mais informações estão na página de cirurgias de mama.
Pontos-chave
- A escolha da prótese de silicone envolve superfície, formato, perfil, volume e posição, decididos em conjunto.
- Implantes com o mesmo volume em mililitros podem ter perfis diferentes e contornos diferentes.
- A posição (subglandular, submuscular ou dual plane) depende principalmente da cobertura de tecido.
- O tamanho é definido a partir das medidas do seu tórax e da qualidade da pele, sem garantia de resultado.
- Não há prazo universal de troca, mas o acompanhamento com consultas e exames é permanente.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor prótese de silicone?
Não existe um modelo que sirva para todas as pessoas. A prótese mais adequada é aquela compatível com as medidas, os tecidos e o objetivo de cada paciente, definida após exame físico e conversa sobre riscos.
Prótese redonda parece menos natural que a anatômica?
Não necessariamente. O aspecto final depende da combinação entre formato, perfil, volume, posição e quantidade de tecido. Em muitas pessoas, um implante redondo bem dimensionado tem contorno discreto.
A prótese de silicone atrapalha a mamografia?
O implante pode dificultar a visualização de parte do tecido mamário, e por isso o exame costuma ser feito com técnicas específicas. Informe sempre ao serviço de imagem que você tem prótese.
Posso amamentar com prótese de silicone?
Em muitos casos a amamentação continua possível, mas isso não pode ser assegurado. A via de acesso, a técnica e as características da mama influenciam, e o tema deve ser discutido antes da cirurgia.
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