Publicado em 18 de setembro de 2026

Mastopexia com prótese: como funciona a cirurgia combinada

Estetoscópio ao lado de um notebook sobre mesa branca

A mastopexia com prótese é a cirurgia que reúne, em um mesmo tempo operatório, o levantamento da mama e a colocação de um implante. Ela é considerada quando a queixa soma duas coisas: a mama caiu e também perdeu volume, especialmente na parte alta, que aparece no decote. Associar os dois procedimentos exige um planejamento mais cuidadoso do que cada um deles isoladamente, porque as forças envolvidas caminham em sentidos opostos — o implante expande, enquanto o ajuste de pele reduz. O panorama geral está em mastopexia: o que é a cirurgia de levantamento das mamas, e aqui o assunto é a cirurgia combinada.

Por que associar implante ao levantamento

O levantamento reposiciona o que existe; o implante repõe o que falta. Quando a mama tem tecido próprio suficiente, o levantamento isolado costuma dar conta, como explicado em mastopexia sem prótese: quando é possível. A associação entra em cena principalmente em três cenários:

  • mamas esvaziadas após gestação e amamentação, com pele sobrando e pouco tecido remanescente;
  • perda de peso importante, em que a mama ficou flácida e com polo superior vazio;
  • mamas constitucionalmente pequenas que também apresentam queda, situação em que apenas levantar resultaria em forma pequena.

O implante cumpre nessa combinação um papel específico: dar volume e preencher a parte superior. Ele não sustenta a mama nem substitui o levantamento — uma prótese colocada em mama caída, sem correção da pele, tende a acentuar a queda em vez de resolvê-la.

Como é feito o planejamento da mastopexia com prótese

O planejamento combina duas decisões que se influenciam mutuamente: quanto de pele será retirado e qual implante será usado. Medidas de base mamária, distância entre fúrcula esternal e mamilo, espessura do tecido que vai cobrir o implante, elasticidade da pele, posição do sulco inframamário e diferenças entre os lados entram nesse cálculo.

Um implante maior ocupa mais espaço e, portanto, exige que menos pele seja retirada; um implante menor deixa mais pele a ajustar. Encontrar esse equilíbrio é o centro do planejamento, e é por isso que a escolha do volume não é feita por preferência isolada da paciente nem por comparação com outras pessoas: o que o tecido suporta com segurança tem prioridade. Em situações de pele muito ruim ou de correção muito extensa, o cirurgião pode propor a realização em dois tempos, separando levantamento e implante em cirurgias distintas, com intervalo de cicatrização entre elas.

Tipos e posicionamento do implante

Os implantes variam em formato (redondos ou anatômicos), perfil ou projeção, superfície e volume. A escolha considera a largura da base da mama, a espessura da cobertura de tecido e o contorno pretendido, e é discutida caso a caso. Tão importante quanto o modelo é o plano em que ele será posicionado.

PosicionamentoOnde o implante ficaConsiderações no contexto da mastopexia
SubglandularAtrás da glândula, sobre o músculo peitoralCobertura depende do tecido próprio; tende a ser evitado quando a camada é fina
SubfascialAbaixo da fáscia que recobre o músculo peitoralAcrescenta uma camada de cobertura mantendo o músculo íntegro
Submuscular ou plano duploParcialmente sob o músculo peitoral maiorOferece mais cobertura no polo superior, com recuperação inicial que pode ser mais desconfortável

Não existe posicionamento universalmente melhor. A decisão é técnica e individual, e leva em conta a quantidade de tecido disponível, o grau de ptose e o comportamento esperado da mama ao longo do tempo.

Por que a cirurgia combinada é mais complexa

Os dois procedimentos têm objetivos geométricos opostos. O levantamento reduz o envelope de pele e o aperta em torno do conteúdo; o implante aumenta esse conteúdo e empurra o envelope de dentro para fora. Executar as duas coisas na mesma cirurgia significa acertar, em um único tempo, um equilíbrio que qualquer desvio pode desfazer.

Isso traz consequências concretas. A tensão sobre as suturas é maior, o que pode repercutir na qualidade da cicatriz. A posição final da aréola precisa ser calculada considerando que a mama ganhará volume, sob risco de ficar alta ou baixa demais. A irrigação do complexo aréola-mamilo exige atenção redobrada, já que a remodelação e a pressão do implante atuam sobre os mesmos tecidos. E pequenas assimetrias prévias podem se tornar mais perceptíveis quando há volume adicional.

Por essas razões, a cirurgia combinada apresenta taxa de reoperação e de ajustes maior do que a de cada procedimento isolado — um dado que deve ser apresentado com honestidade antes da decisão, e não descoberto depois. A avaliação presencial com cirurgião plástico com registro no CRM e RQE é o que define se a associação é adequada em cada caso.

Tempo cirúrgico e recuperação

O tempo de sala é maior do que o de um levantamento isolado ou de um implante isolado, porque as duas etapas são executadas em sequência, com conferências de simetria ao longo do procedimento. A cirurgia é feita em ambiente hospitalar, com anestesia definida pelo anestesiologista, e a alta costuma ocorrer conforme a evolução clínica.

Nos primeiros dias, é comum haver dor de intensidade leve a moderada, sensação de aperto no tórax, inchaço e alteração temporária da sensibilidade da aréola. Quando o implante é posicionado sob o músculo, o desconforto inicial tende a ser maior. O sutiã cirúrgico é indicado por algumas semanas, e as atividades voltam de forma escalonada: tarefas leves em poucos dias, trabalho sem esforço físico em uma a duas semanas e exercícios liberados gradualmente pelo cirurgião, com os movimentos de membros superiores entre os últimos. O edema diminui ao longo de meses, e a acomodação do implante também leva tempo.

Cuidados ao longo da vida e riscos adicionais

Ter um implante cria uma rotina de acompanhamento que dura além do pós-operatório. Consultas periódicas com o cirurgião plástico permitem avaliar a mama e o implante; exames de imagem de rastreamento seguem indicados conforme a idade e o histórico, informando ao serviço de radiologia a presença da prótese, já que existem manobras específicas para avaliar o tecido mamário nessas pacientes. O implante não tem prazo fixo de validade e a troca não é automática em um número determinado de anos, mas também não é um dispositivo definitivo: pode precisar de substituição ou retirada, e essa possibilidade faz parte da decisão.

Além dos riscos comuns a toda mastopexia — sangramento, hematoma, infecção, seroma, deiscência, alteração de sensibilidade, assimetrias e cicatrizes desfavoráveis —, a presença do implante acrescenta outros: contratura capsular, que é o endurecimento da cápsula que o organismo forma ao redor da prótese; má posição, rotação ou deslocamento do implante; ondulações visíveis na pele, mais prováveis quando a cobertura de tecido é fina; ruptura; seroma tardio; e o linfoma anaplásico de células gigantes associado a implante, condição rara que motiva acompanhamento e investigação de alterações tardias. Nenhum desses riscos deve assustar de forma abstrata, mas todos precisam ser conhecidos. Outras opções para a região podem ser vistas em cirurgias de mama.

Pontos-chave

  • A mastopexia com prótese resolve duas queixas somadas: queda da mama e falta de volume, sobretudo no polo superior.
  • O implante repõe volume, mas não sustenta a mama nem dispensa o levantamento.
  • O planejamento equilibra o volume do implante com a quantidade de pele a retirar; em casos difíceis, pode ser dividido em dois tempos.
  • A associação é tecnicamente mais complexa e apresenta mais ajustes e reoperações do que cada procedimento isolado.
  • O implante exige acompanhamento ao longo da vida, comunicação ao serviço de imagem e possibilidade de troca ou retirada.

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Perguntas frequentes

É melhor fazer tudo de uma vez ou em dois tempos?

Depende da qualidade da pele, do grau de ptose e da extensão da correção. Fazer em um tempo evita uma segunda cirurgia e uma segunda recuperação; dividir em dois pode aumentar a previsibilidade em casos com pele muito distendida. A escolha é técnica e individual.

A cicatriz é maior quando se coloca prótese junto?

O padrão de cicatriz é definido pela quantidade de pele a retirar. O implante não amplia o desenho por si só, mas aumenta a tensão sobre as suturas, o que pode influenciar a evolução da cicatriz em algumas pessoas.

Vou precisar trocar a prótese em dez anos?

Não existe prazo fixo que obrigue a troca. O implante é acompanhado ao longo do tempo e substituído ou retirado quando há indicação clínica, como contratura, ruptura ou desejo de mudança. O acompanhamento periódico é o que orienta essa decisão.

A prótese atrapalha a mamografia?

O rastreamento continua sendo feito. É necessário informar a presença do implante ao serviço de imagem, que utiliza técnicas específicas para visualizar melhor o tecido mamário. Exames complementares podem ser indicados conforme o caso.

A cirurgia combinada dói mais?

O desconforto costuma ser um pouco maior do que no levantamento isolado, especialmente quando o implante fica sob o músculo peitoral. A dor é controlada com medicação prescrita e tende a diminuir de forma importante nos primeiros dias.

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