Publicado em 08 de setembro de 2026

Mastopexia: o que é a cirurgia de levantamento das mamas

Silhueta de mulher diante de uma janela, com luzes noturnas desfocadas ao fundo

A mastopexia é a cirurgia plástica que corrige a queda das mamas: o cirurgião reposiciona o complexo aréola-mamilo, remodela o tecido mamário e retira o excesso de pele, devolvendo à mama um posicionamento mais alto no tórax. Ela atua sobre a forma e a posição, não sobre o volume — por isso, parte dos casos é planejada junto com um implante, enquanto outros se resolvem apenas com o levantamento. Abaixo estão as causas da ptose mamária, os graus de queda, a avaliação, o panorama das técnicas e cicatrizes, a recuperação e os riscos. A indicação depende sempre de avaliação presencial com cirurgião plástico registrado no CRM e com RQE em Cirurgia Plástica, e os resultados variam conforme cada caso.

O que é a mastopexia e o que ela corrige

Com o tempo, a pele e os ligamentos que sustentam internamente a mama perdem tensão, e a glândula desce em relação ao sulco inframamário, a dobra natural na base da mama. A mastopexia devolve esse conjunto a uma posição mais alta com três movimentos combinados: elevar a aréola, reorganizar o tecido glandular em uma forma mais projetada e ajustar o envelope de pele que passou a sobrar.

É útil separar o que a cirurgia faz do que ela não faz:

  • reposiciona a aréola e o mamilo, que em mamas caídas tendem a apontar para baixo;
  • redistribui o tecido mamário, concentrando-o na porção central da mama;
  • retira o excesso de pele e estreita a base mamária quando ela está alargada;
  • não acrescenta volume: uma mama com pouco tecido próprio continuará com pouco tecido depois do levantamento;
  • não interrompe a ação do tempo, da gravidade e de novas variações de peso sobre os tecidos.

A mastopexia também pode ser associada à retirada de tecido, quando há excesso de volume, ou à colocação de implante, quando falta. Essas variações aparecem no planejamento individual e integram o conjunto de cirurgias de mama.

O que causa a ptose mamária

A ptose resulta do desequilíbrio entre o peso do conteúdo da mama e a capacidade de sustentação da pele e dos ligamentos internos. Vários fatores costumam se somar ao longo da vida:

  • Gestação: a mama aumenta de volume e a pele se distende; depois do parto o volume diminui, e a pele nem sempre retrai na mesma proporção.
  • Amamentação: os ciclos de enchimento e esvaziamento repetem essa distensão, e o tecido glandular se reorganiza após o desmame.
  • Variação de peso: ganhos e perdas expressivos, sobretudo repetidos ou rápidos, produzem na pele um efeito parecido com o de gestações sucessivas.
  • Idade: com os anos, parte da glândula é substituída por tecido gorduroso, a mama fica menos firme e as estruturas de sustentação cedem.
  • Genética e elasticidade da pele: a qualidade individual do colágeno e da elastina explica por que mulheres com histórias semelhantes apresentam graus de queda diferentes.
  • Volume mamário e hábitos: mamas mais volumosas sofrem maior tração; tabagismo e exposição solar intensa deterioram a qualidade da pele.

Identificar qual fator predomina muda a conversa: uma ptose causada por excesso de pele após gestações é discutida de um jeito, e a perda de tecido no polo superior após grande emagrecimento leva a outro raciocínio.

Graus de ptose e a avaliação antes da mastopexia

A referência clínica mais usada compara a posição do mamilo com o sulco inframamário. Essa leitura orienta o grau de queda e, junto com outros dados, a técnica escolhida.

ApresentaçãoPosição do mamiloObservação clínica
Ptose leveNa altura do sulco inframamárioCostuma pedir correções menores, com retirada limitada de pele
Ptose moderadaAbaixo do sulco, ainda acima do contorno inferior da mamaExige elevação maior da aréola e mais ajuste do envelope cutâneo
Ptose acentuadaBem abaixo do sulco, com o mamilo voltado para baixoEm geral envolve maior retirada de pele e cicatriz mais extensa
PseudoptoseAcima do sulcoMamilo em posição aceitável, mas com tecido caído abaixo do sulco, situação comum após amamentação

A consulta vai além dessa medida. O cirurgião avalia volume e distribuição do tecido, distância entre a fúrcula esternal e o mamilo, largura da base, qualidade e elasticidade da pele, estrias, assimetrias e posição dos sulcos. Entram também o histórico pessoal e familiar de doenças mamárias, exames de imagem conforme a indicação, condições clínicas, tabagismo e planos de gestação. O Dr. Christian Elias (CRM 76807 | RQE 61773) conduz essa etapa presencialmente, porque nenhuma orientação à distância substitui o exame físico.

Técnicas de mastopexia e padrões de cicatriz

Não existe técnica única. O que define a escolha é a quantidade de pele a retirar, a distância que a aréola precisa subir e a qualidade dos tecidos. Os padrões de cicatriz mais discutidos são estes:

PadrãoDesenho da cicatrizSituações em que costuma ser considerado
PeriareolarApenas ao redor da aréolaPtose leve, pequena elevação do mamilo, ajuste do diâmetro areolar
VerticalAo redor da aréola e em linha vertical até o sulcoPtose leve a moderada, com necessidade de estreitar a base da mama
Em T invertidoPeriareolar, vertical e horizontal no sulco inframamárioPtose acentuada ou grande excesso de pele, inclusive após emagrecimento importante

Junto ao desenho da pele, o cirurgião decide como o tecido interno será remodelado e qual pedículo, a ponte que mantém a irrigação e a inervação da aréola, será preservado. A cicatriz é inevitável em qualquer padrão: o que se planeja é onde ela ficará e qual será sua extensão. A evolução depende da cicatrização individual, da tensão na sutura e dos cuidados no pós-operatório.

Mastopexia com ou sem prótese: como a decisão é construída

Essa é a dúvida mais frequente de quem pesquisa o procedimento, e a resposta nasce de uma pergunta simples: o que incomoda é a posição da mama, o volume, ou os dois?

Quando existe tecido próprio suficiente e a queixa se concentra na queda, o levantamento isolado tende a atender. Quando falta volume, sobretudo no polo superior, a mastopexia reposiciona o que existe, mas não preenche o que não existe, e a associação de implante entra na discussão.

Cada caminho tem critérios, limites e cuidados próprios, detalhados em dois textos complementares: mastopexia sem prótese: quando é possível e mastopexia com prótese: como funciona a cirurgia combinada. A escolha final é individual e definida na avaliação presencial.

Recuperação, riscos e limitações

Como costuma ser o pós-operatório

A cirurgia é feita em ambiente hospitalar, com anestesia definida pelo anestesiologista, e o tempo cirúrgico varia conforme a técnica. Nos primeiros dias, é comum haver dor leve a moderada, controlada com medicação, inchaço, sensação de peso e alteração temporária da sensibilidade da aréola. O sutiã cirúrgico costuma ser indicado por algumas semanas, e drenos não são rotina.

O retorno às atividades leves costuma acontecer em poucos dias, e o trabalho sem esforço físico, em uma a duas semanas. Exercícios, sobretudo de membros superiores, são liberados de forma gradual pelo cirurgião. Dirigir, carregar peso e expor as cicatrizes ao sol têm liberação escalonada, e o edema regride ao longo de meses.

Riscos e limitações

Toda cirurgia tem riscos. Na mastopexia, os mais citados são sangramento e hematoma, infecção, seroma, deiscência (abertura de pontos), sofrimento de pele ou da aréola por irrigação insuficiente, alteração permanente da sensibilidade do mamilo, assimetrias residuais, cicatrizes alargadas ou hipertróficas e necessidade eventual de retoque. Somam-se os riscos gerais de qualquer procedimento com anestesia, reduzidos com preparo adequado.

A amamentação futura pode ser afetada, em grau variável, conforme a técnica e o pedículo utilizado. A mastopexia também não impede novas alterações: gestação, variação de peso e envelhecimento seguem agindo sobre a mama operada.

Pontos-chave

  • A mastopexia trata a ptose reposicionando aréola, tecido e pele, sem acrescentar volume por si só.
  • Gestação, amamentação, variação de peso, idade e genética estão por trás da queda.
  • O grau de ptose, a qualidade da pele e o volume próprio orientam a técnica e o padrão de cicatriz — periareolar, vertical ou em T invertido.
  • A decisão entre levantamento isolado e cirurgia combinada com implante depende da queixa principal e das características dos tecidos.
  • A indicação exige avaliação presencial com cirurgião plástico com registro no CRM e RQE, e os riscos devem ser discutidos antes.

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Perguntas frequentes

A mastopexia deixa cicatriz visível?

Sim, porque a retirada de pele faz parte da cirurgia. O que muda é o padrão escolhido e a extensão. As cicatrizes tendem a clarear e amadurecer ao longo de meses, com evolução individual.

Quando é possível voltar ao trabalho?

Atividades administrativas e sem esforço físico costumam ser retomadas dentro de uma a duas semanas, dependendo da evolução de cada pessoa e da extensão da cirurgia. Trabalhos que exigem esforço com os braços ou levantamento de peso demandam mais tempo, sempre com liberação do cirurgião.

A mastopexia interfere na amamentação?

Pode interferir, em grau variável. A preservação do pedículo que nutre e inerva a aréola é parte central do planejamento, mas não há como assegurar a capacidade de amamentar depois da cirurgia. Quem planeja gestação deve conversar sobre isso antes de decidir o momento do procedimento.

Quanto tempo depois da gestação a cirurgia pode ser considerada?

Em geral, aguarda-se a estabilização das mamas após o fim da amamentação e alguns meses de peso estável, para que a avaliação reflita a situação real dos tecidos. O intervalo é definido caso a caso.

A mastopexia atrapalha a mamografia?

O acompanhamento mamário segue normalmente. Como alterações de cicatrização podem aparecer nos exames, informe ao serviço de imagem que houve cirurgia mamária prévia.

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