Publicado em 18 de outubro de 2026

Ginecomastia: o que é, causas e quando a cirurgia é indicada

Médico fazendo anotações à mesa do consultório

Ginecomastia é o aumento do tecido glandular da mama no homem, que pode acontecer em um ou nos dois lados e costuma aparecer como um volume firme logo atrás da aréola. Ela é diferente do simples acúmulo de gordura no peito, e a cirurgia só é considerada depois que as possíveis causas foram investigadas e quando o quadro não regride por conta própria.

A seguir, você entende como diferenciar os tipos de aumento mamário masculino, quais causas precisam ser avaliadas antes de pensar em operar, quando a cirurgia entra em discussão, quais técnicas existem e como costuma ser a recuperação. O conteúdo é informativo: diagnóstico e conduta dependem de avaliação médica presencial.

Ginecomastia verdadeira ou acúmulo de gordura?

Nem todo peito masculino aumentado é ginecomastia. Existem dois quadros principais, que podem aparecer separados ou juntos.

Ginecomastia verdadeira

É o crescimento da glândula mamária. Ao exame, costuma ser percebida como um disco de tecido mais firme, às vezes sensível, concentrado embaixo da aréola. Pode surgir em um lado só ou nos dois, e nem sempre de forma simétrica.

Pseudoginecomastia (lipomastia)

É o aumento do volume do peito por acúmulo de gordura, sem crescimento relevante da glândula. É mais comum em quem está acima do peso ou teve ganho de peso recente. O tecido é mais macio e se distribui de forma mais difusa.

Quadro misto

Muitos homens têm as duas coisas: um componente de glândula e um componente de gordura. Isso influencia diretamente a técnica cirúrgica, quando a cirurgia é indicada.

CaracterísticaGinecomastia verdadeiraAcúmulo de gordura
Tecido envolvidoGlândula mamáriaGordura subcutânea
Consistência ao toqueMais firme, concentrada atrás da aréolaMais macia e espalhada
SensibilidadePode haver dor ou sensibilidade, principalmente no inícioGeralmente sem dor
Relação com o pesoPode existir em homens magrosCostuma acompanhar ganho de peso
Resposta à perda de pesoA glândula tende a permanecerO volume pode diminuir com emagrecimento
Abordagem cirúrgica habitualRetirada do tecido glandular, muitas vezes associada à lipoaspiraçãoLipoaspiração, quando indicada

O exame físico costuma ser suficiente para levantar a suspeita, mas o médico pode solicitar ultrassonografia das mamas ou outros exames para confirmar o tipo de tecido e afastar outras alterações.

Causas que devem ser investigadas antes da cirurgia

A ginecomastia é, muitas vezes, um sinal de que algo mudou no equilíbrio hormonal do organismo. Por isso, antes de qualquer decisão cirúrgica, é fundamental entender a causa. Em alguns casos, tratar a origem já basta para o volume diminuir.

Fases da vida

Na puberdade, é comum surgir um aumento mamário transitório por causa das variações hormonais da idade. Na maioria dos adolescentes, esse quadro regride espontaneamente com o tempo. Em homens mais velhos, a queda natural da testosterona também pode favorecer o aparecimento.

Causas hormonais e clínicas

Alterações na relação entre hormônios masculinos e femininos, doenças da tireoide, doenças do fígado e dos rins, alterações nos testículos e, mais raramente, tumores produtores de hormônios estão entre as condições que o médico pode querer investigar. A avaliação pode envolver exames de sangue e, quando necessário, o acompanhamento com outras especialidades médicas.

Medicamentos e substâncias

Algumas classes de medicamentos são conhecidas por poder causar ginecomastia como efeito adverso, entre elas certos remédios usados no tratamento da próstata, alguns diuréticos, alguns medicamentos para o estômago e para o coração e alguns psiquiátricos. Esteroides anabolizantes, consumo excessivo de álcool e uso de maconha também aparecem com frequência entre as causas.

Se você usa algum medicamento e notou o aumento do peito, não interrompa nem troque o remédio por conta própria. Leve a lista do que usa à consulta. Qualquer ajuste precisa ser avaliado pelo médico que prescreveu, considerando o motivo do tratamento.

Sinais que pedem avaliação rápida

Nódulo endurecido e fixo, crescimento rápido, alteração da pele, retração do mamilo, secreção pelo mamilo ou ínguas na axila não são características típicas da ginecomastia comum. Diante de qualquer um desses sinais, procure avaliação médica sem demora, porque é preciso afastar outras doenças da mama, que também podem ocorrer em homens.

Quando a cirurgia de ginecomastia é considerada

A cirurgia não é o primeiro passo. Ela costuma entrar em discussão quando:

  • As causas tratáveis foram investigadas e, quando possível, corrigidas.
  • O aumento persiste por tempo prolongado, sem sinais de regressão.
  • No adolescente, o desenvolvimento já se estabilizou, o que geralmente leva a aguardar o fim da puberdade antes de operar.
  • O peso está estável, já que grandes variações podem alterar o resultado.
  • O volume causa desconforto físico, constrangimento ou impacto na autoestima, e a pessoa tem expectativas realistas.

Também é preciso estar em boas condições clínicas para a cirurgia. Fumantes costumam ser orientados a parar antes do procedimento, porque o cigarro prejudica a cicatrização.

Técnicas: lipoaspiração e retirada do tecido glandular

A técnica é escolhida conforme o tipo de tecido predominante, a quantidade de pele e o formato do tórax.

Lipoaspiração

Remove a gordura do peito e da região lateral, por meio de pequenas incisões. É o recurso principal quando o aumento é sobretudo de gordura e ajuda a suavizar a transição entre o peito e as áreas vizinhas. Para entender melhor o método, veja a página de lipoaspiração e o artigo sobre lipo HD, que trata do refinamento de contorno.

Retirada do tecido glandular

A glândula é mais firme e geralmente não sai com a lipoaspiração. Por isso, ela costuma ser retirada diretamente, por uma incisão discreta na borda inferior da aréola. O cirurgião procura deixar uma pequena camada de tecido sob a aréola para evitar que ela fique afundada.

Retirada de pele

Em casos de volume grande ou após emagrecimento importante, pode sobrar pele. Aí pode ser necessário retirar o excesso e, às vezes, reposicionar a aréola, o que deixa cicatrizes maiores. Essa possibilidade deve ser discutida com clareza antes da cirurgia.

Na maioria dos homens, a combinação de lipoaspiração com retirada glandular é a abordagem mais usada. A cirurgia costuma ser feita em ambiente hospitalar, com anestesia definida junto ao anestesiologista. A página de cirurgias de mama reúne outros procedimentos da região.

Recuperação da cirurgia de ginecomastia

A recuperação costuma ser mais simples do que a de outras cirurgias de mama, mas tem cuidados importantes:

  • Colete compressivo: é usado por algumas semanas para ajudar na acomodação dos tecidos e no controle do inchaço, conforme orientação do cirurgião.
  • Inchaço e hematomas: são esperados no início e diminuem gradualmente. O contorno final leva meses para se definir.
  • Atividades: atividades leves costumam ser retomadas em poucos dias; exercícios de peito e musculação com carga ficam para depois da liberação médica.
  • Cuidados com a cicatriz: evitar sol direto na região e seguir as orientações de cicatrização.

Muitos dos cuidados são semelhantes aos de qualquer lipoaspiração, explicados em detalhe no artigo sobre lipoaspiração pós-operatório e cuidados.

Riscos

Entre os riscos possíveis estão hematoma, seroma (acúmulo de líquido), infecção, alteração da sensibilidade do mamilo, irregularidades de contorno, assimetria e retirada de tecido maior ou menor que o ideal, que pode exigir ajuste. Se a causa de base continuar ativa, como o uso de anabolizantes, a ginecomastia pode voltar. O resultado depende da anatomia e da cicatrização de cada pessoa e não pode ser garantido.

O Dr. Christian Elias, cirurgião plástico (CRM 76807 | RQE 61773) e membro da SBCP, atende em Uberaba (MG) e em São Paulo (SP). Para marcar uma avaliação, acesse a página de contato.

Pontos-chave

  • Ginecomastia é o crescimento da glândula mamária masculina; acúmulo de gordura é outro quadro, chamado de pseudoginecomastia.
  • Causas hormonais, doenças e medicamentos devem ser investigados antes de pensar em cirurgia.
  • Na puberdade, o aumento costuma regredir sozinho, por isso a cirurgia geralmente espera a estabilização.
  • A cirurgia combina, em muitos casos, lipoaspiração e retirada do tecido glandular pela borda da aréola.
  • Nódulo endurecido, secreção ou alteração da pele pedem avaliação médica rápida.
  • Diagnóstico e indicação dependem de consulta presencial.

Perguntas frequentes

Ginecomastia some com academia e dieta?

A parte de gordura pode diminuir com emagrecimento. A glândula, por outro lado, costuma permanecer mesmo com perda de peso e treino, e exercícios de peito não a eliminam.

Ginecomastia pode ser de um lado só?

Pode. O aumento em apenas um lado é relativamente comum, mas deve sempre ser examinado para diferenciar de outras alterações da mama.

Remédio resolve ginecomastia?

Em situações específicas, e de preferência no início do quadro, o médico pode avaliar tratamento clínico. Isso depende da causa e exige prescrição individual. Quando a glândula já está estabelecida há muito tempo, a resposta a medicamentos tende a ser limitada.

A ginecomastia pode voltar depois da cirurgia?

Pode, principalmente se a causa continuar presente, como o uso de anabolizantes ou de medicamentos associados ao quadro, ou se houver grande ganho de peso.

A cicatriz aparece?

Na maioria das técnicas, as incisões são pequenas e ficam na borda da aréola e em pontos discretos para a lipoaspiração. Quando é preciso retirar pele, as cicatrizes são maiores, o que é discutido antes.

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